Acad. Luiz Augusto de Freitas Pinheiro




Titular em 24/07/2021

Especialidade:

Acadêmico Patrono

Cadeira: 73

Patrono:


Mini currículo:

O Prof. Luiz Augusto de Freitas Pinheiro, nasceu em Palma (MG) aos 18 dias do mês de abril de 1940, no furor da Segunda Grande Guerra, filho primogênito de Thales Barbosa Pinheiro e Odette de Freitas Pinheiro. Cresceu como todo menino das cidadezinhas do interior, em convívio próximo com a família e dela recebendo os primórdios da educação e de seu caráter. Engraxou sapatos na rua, vendeu galinhas, verduras e frutas. Fez sua formação escolar inicial em escolas públicas da região. Mudou-se para Niterói para completar seus estudos e em 1958 ingressa no curso de medicina na então Faculdade Fluminense de Medicina atual Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Sua vocação pela medicina veio dos tempos de infância na sua cidade natal, acompanhando seu pai Dr. Thales Barbosa Pinheiro, médico e poeta, que se despediu da sua Minas Gerais após completar o centenário. Casado com Maria de Fátima Gomes Pinheiro, é pai de três filhos: Jovita (médica), Leonardo (Analista de Sistemas) e Marcelo (Farmacêutico Industrial), avô de cinco netos: Leonardo, Ana Carolina, Larissa, Jhennifer e Thayná, sendo as duas últimas não biológicas. O exemplo de seus pais norteia seu convívio com a família, seus colegas, alunos e pacientes.

Durante o curso de Graduação em medicina (1958-1963), conheceu professores que tiveram influência decisiva na escolha da especialidade de cardiologia: Prof. Raul Carlos Pareto JR, Prof. Washington Pinto e Prof. Valdemar Wanderley da Cunha.


O MAGISTÉRIO

Em 1974, foi aprovado, por concurso público de títulos, para o cargo de Professor Auxiliar I de Cardiologia do Departamento de Medicina Clínica da Faculdade de Medicina da UFF. Influenciado pelo Prof. Edson Abdalla Saad, ingressou no Curso de Mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) três anos após sua admissão na Disciplina de Cardiologia da UFF, tendo como seu orientador acadêmico o Prof. Nelson Albuquerque de Souza e Silva, concluído com a defesa da Tese intitulada "Contribuição ao Estudo da Miocardite Diftérica" em 18/05/83. Obra com extensa revisão da literatura sobre o tema, desde seu possível reconhecimento inicial por Hipócrates no século IV AC a sua descrição clínica em bases mais concretas ao final do primeiro e início do segundo séculos da era cristã. Participaram de sua banca os renomados professores Aristarco Siqueira, Manoel Barreto Netto e Raul Carlos Pareto Júnior, recebendo nota 10.

Na UFF dedicou-se ao ensino da Graduação e Pós Graduação (Lato e Stricto Sensu), ministrando aulas teóricas e práticas, orientando ou participando de bancas de Monografias de Especialização e Teses de Mestrado.

Discípulo do Professor Pareto, interessou-se desde cedo pela semiologia cardiovascular que durante muitos anos exerceu com dedicação e empenho, participando na formação de inúmeras turmas de alunos do curso de medicina. Outra área de interesse foi o estudo das miocardiopatias, doença que juntamente com a cardiopatia reumática eram muito prevalentes nas enfermarias e ambulatórios do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP).

Outra atividade de destaque desde o início da sua carreira na UFF até o final da primeira metade dos anos 90 foi a Fonocardiografia. Aplicada ao ensino da semiologia, este exame era realizado em uma sala revestida por cortiça, proporcionando um silêncio que permitia a auscultação do coração e o registro das bulhas, sopros, clicks e do apexcardiograma, correlacionando o exame clínico com o ciclo cardíaco e a fisiopatologia das diversas formas de cardiopatia. O domínio do método possibilitou o acoplamento do fonocardiograma ao ecocardiograma. Esta metodologia gerou uma publicação pioneira no Brasil, juntamente com o Prof. Pareto, do estudo da função diastólica baseado na medida dos intervalos diastólicos, antes mesmo da introdução do Doppler Cardíaco. Em 1976, utilizando esta mesma metodologia, realizou os exames da Tese sobre Miocardiopatia Alcoólica com a qual o Prof. Pareto concorreu à Livre Docência de Cardiologia na UFF.

Nos anos de 1987, 1988 e 1989 ministrou aulas de Ecocardiografia e Fonomecanocardiografia no Instituto de Pós-Graduação Médica do Rio de Janeiro, quando estreitou uma forte relação de amizade com o seu Diretor, Prof. Stans Murad Netto, figura humana excepcional, professor e pesquisador não menos qualificado

Na UFF, em 1981, juntamente com o Prof. Pareto e outros colegas, participou de um grupo de pesquisa em miocardiopatia alcoólica com financiamento da FINEP, CAPES e CNPQ, cuja produção científica nesta área propiciou a aquisição do primeiro equipamento de hemodinâmica da cardiologia do HUAP.

Outro método que dominou ao longo de toda sua vida acadêmica e profissional foi a ecocardiografia. No final dos anos 70, introduziu no HUAP esta metodologia diagnóstica, atividade que desenvolveu e ensinou a inúmeras gerações de cardiologistas. Durante muitos anos, juntamente com seus colegas na Disciplina de Cardiologia, Prof. Jorge Mendonça, realizou milhares de exames de ecocardiograma dos pacientes ambulatoriais e internados, além de participar de inúmeras pesquisas dos alunos de Pós Graduação e colegas do magistério. Apesar do encantamento da imagem ecográfica do coração, não prescindia da realização da ausculta cardíaca dos pacientes antes da realização do ecocardiograma.

A eletrocardiografia foi outro método diagnóstico em cardiologia pela qual dedicou-se desde cedo na carreira universitária, ministrando, por décadas, aulas na graduação e pós graduação além da organização de cursos de Eletrocardiograma para médicos e estudantes de medicina.

Como professor, participou de inúmeras bancas examinadoras na UFF e em outras universidades para concursos de professor, para seleção de candidatos ao curso de Mestrado, Especialização, bem como para médico Residente do HUAP e para admissão ou ascensão funcional de pessoal paramédico. Orientou teses de Mestrado e Monografias do Curso de Especialização em Cardiologia da UFF. Publicou inúmeros artigos científicos em revistas indexadas e apresentou, como autor ou co-autor, diversos trabalhos em congressos nacionais e internacionais abordando os mais variados temas da cardiologia, do ensino médico e da prática da medicina. Publicou 3 livros, "O Controle da Hipertensão Arterial: Uma Proposta de Integração Ensino e Serviço" (Ministério da Saúde, 1995), Semiologia Cardiovascular - "Um Tributo ao Prof. Raul Carlos Pareto Jr" (Livraria Atheneu, 2002) e "Em Cantos Guardados - Pelos Caminhos da Medicina e da Vida" como Coordenador Editorial (ACAMERJ, 2009).

Outra área da cardiologia que despertou seu interesse e a ela dedica-se até a presente data foi a da Hipertensão Arterial. No ensino da graduação promoveu a integração da cardiologia com a neurologia, oftalmologia, nefrologia e patologia na aula de Hipertensão Arterial no 6° período. Em 1986, no exercício da Coordenação da Disciplina de Cardiologia, criou os ambulatórios especializados e tornou-se responsável pelo ambulatório de Hipertensão Arterial do HUAP, função que exerceu até o ano de 2003. Com a experiência adquirida, publicou vários artigos sobre o tema, culminando com o convite para participar do Programa Nacional de Ensino e Controle da Hipertensão Arterial (PNECHA) do Ministério da Saúde, coordenado pelo Prof. Nelson Albuquerque de Souza e Silva e integrado por professores universitários de todo o país.

Nesta oportunidade participa como coautor e assessor técnico da publicação do livro "O Controle da Hipertensão Arterial: Uma Proposta de Integração, Ensino e Serviço. "

Capacidade intelectual, conhecimento científico e expertise mineira, foi a temperança para exercer os cargos administrativos para os quais foi convidado ou eleito na Faculdade de Medicina da UFF: Vice Chefe do Departamento de Medicina Clínica (MMC), Coordenador da Disciplina de Cardiologia do MMC, Membro da Comissão Didático-Pedagógica do MMC, Membro da Comissão de Ética do MMC, Membro da Comissão Departamental do MMC, Membro da Coordenação Técnico-Científica do MMC e Chefe do Serviço de Métodos Gráficos do HUAP.

Sua ascensão na carreira universitária teve seu ápice em março de 1994 quando prestou concurso público para Professor Titular de Cardiologia com a defesa de Memorial e da Tese intitulada: "Alguns aspectos da farmacocinética e farmacodinâmica da digoxina. Emprego na pesquisa clínica. "

Em 10 de abril de 2015, por indicação de seus pares e aprovação em todas as instâncias da UFF, recebe o título de Professor Emérito, coroando toda uma carreira dedicada à Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense.

 

O EXERCÍCIO DA MEDICINA E VIDA SOCIETÁRIA

Sua prática médica baseou-se sempre na arte de escutar, pensar e examinar. Desta tríade, desenvolvia seu raciocínio clínico para uma hipótese diagnóstica plausível. Tive a oportunidade e o privilégio de ter sido seu aluno e com ele aprendi a valorizar a anamnese e o exame clínico.

Exerceu o cargo de médico cardiologista da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (1964-1972), do INAMPS (1965-1977), do Serviço de Transportes da Baía de Guanabara (STBG) (1967-1972) e do Hospital Universitário Antônio Pedro (1964-1985).

Em 1975 recebeu o título de Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), mediante prova prestada durante o XXXI Congresso da SBC. Desde 1966 exerce sua medicina privada, atendendo seus pacientes no consultório até os dias atuais.

Em 1977, alçando mais um desafio, tornou-se sócio quotista do Centrocárdio - Centro Cardiológico de Niterói Ltda, mais tarde Hospital do Coração de Niterói, tendo ali dedicado grande parte da sua vida profissional. Além de sócio cotista, foi seu Diretor Médico, Científico e Financeiro. Foi o responsável por toda a organização científica da instituição. Por sua iniciativa, foi criado o Auditório Dr. Antônio Paulo Coelho, pedra fundamental para o desenvolvimento técnico-científico. Instituiu sessões de casos clínicos, organizou palestras, cursos de emergências médicas, e de eletrocardiograma, mesas-redondas, fóruns de debates, seminários, trazendo colegas de renome nacional e internacional para eventos científicos que lotavam o auditório. Criou um jornal de circulação dirigida - "Boletim do Coração" - com tiragem que chegou à marca de 25.000 exemplares. Em 2003 conduziu, juntamente com seus sócios, a transformação tecnológica do hospital, terceirizando a criação do Serviço de Hemodinâmica e do Serviço de Cirurgia Cardiovascular.

 

A ACAMERJ

O Prof. Luiz Augusto sempre desejou novos desafios e fazer parte do seleto grupo de Confrades da Academia Fluminense de Medicina era um dos seus sonhos. Em 2001 candidatou-se a Membro Titular da cadeira de número 11 com a Monografia intitulada: "Manobras Propedênticas em Cardiologia - Auxílio ao diagnóstico em um contexto científico, humanístico e socioeconômico," onde enfatiza a importância da anamnese e do exame físico do paciente não só no auxílio ao diagnóstico, mas também para estreitar a relação médico/paciente, contribuindo assim para uma medicina mais humana e menos dispendiosa.

Sua posse na ACAMERJ foi a concretização do seu desejo de prosseguir estudando e criando novos projetos, dentre eles a publicação do livro "Em Cantos Guardados - Pelos Caminhos da Medicina e da Vida", do qual foi seu Coordenador Editorial, juntamente com a colaboração de 21 Confrades, que conta histórias vividas não só no exercício da medicina como fora dela. No livro, escreve o capítulo "Lições de Vida num Ambiente de Morte" onde narra sua participação, ainda como acadêmico de medicina, no atendimento às vítimas do incêndio do "Grande Circo Norte Americano" no fatídico domingo de 17 de dezembro de 1961 na cidade de Niterói.

Em 2016 elege-se Presidente da ACAMERJ para um mandato de 3 anos e logo no primeiro ano cria a Revista da ACAMERJ, com tiragem semestral, hoje em sua 9° Edição.

Em 2017 propõe a criação do Hino da ACAMERJ, com letra de sua autoria e música em parceria com o Maestro Joabe Ferreira e com o Acadêmico Mário Gáspare Giordano, sendo aprovada por unanimidade.

  

HONRARIAS E TÍTULOS RECEBIDOS

Diploma de Destaque Palmense, conferido pela Câmara Municipal de Palma (MG) 1993.

"Moção de Louvor", de autoria do Vereador Afrânio Siqueira, da Câmara Municipal de Niterói, 1998.

Placa de homenagem da turma de formandos de Medicina/UFF 02/2001.

Diploma e Medalha de Honra ao Mérito da Faculdade de Medicina da UFF, por ocasião de seus 80 anos, pelos relevantes serviços prestados, por ocasião de seus 80 anos, 2005.

Diploma e Medalha de Acadêmico do ano de 2007. ACAMERJ, 2007.

Diploma e Medalha comemorativa dos 33 anos da ACAMERJ, 2007.

Medalha de Honra ao Mérito por relevantes serviços prestados à Medicina Brasileira. XIX Gastroproct, 2007.

Diploma - Homenagem pelo atendimento às vítimas do incêndio do Gran Circus Norte Americano, ao completar 50 anos (ACAMERJ),2011.

Placa Comemorativa SOCERJ no X Congresso Fluminense de Cardiologia, Armação dos Búzios (RJ), 2012.

Homenagem do CREMERJ por 50 anos dedicados à Medicina, 2013.

Acadêmico Honorário da Academia Fides et Ratio, 2014

Mérito Científico na Medicina Prof. Raul Carlos Pareto Jr. Câmara Municipal de Niterói, 2018.

Acadêmico, por mérito, da Academia Fluminense de Letras, ocupante da cadeira que tem como patrono o ilustre cientista brasileiro Prof. Carlos Chagas, 2018.

Esta tem sido sua trajetória de filho, pai, avô, médico e professor. Uma vida de dignidade, respeito, sabedoria e amor ao próximo!!!


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