Clementino da Rocha Fraga




Titular em 24/07/2021

Especialidade:

Acadêmico Patrono

Cadeira: 13

Patrono:


Mini currículo:

Nasceu Clementino da Rocha Fraga em Muritiba, Bahia, a 15 de setembro de 1880, sendo seus pais D. Córdula de Magalhães Fraga e Clementino Rocha Fraga. Concluídos os seus estudos básicos em sua terra natal, foi para a capital baiana, para os estudos preparatórios, tendo sido, em 1893, um dos "discípulos" do médico e grande educador Ernesto Carneiro Ribeiro (FRAGA, 1941, p.54).

Formou-se em 1903, na 87ª turma da 1ª escola médica do país (TAVARES-NETO, 2008), defendendo a tese inaugural "A Vontade - estudo pisicofisiológico", conforme ele registra em seu livro "Médicos educadores" (FRAGA, 1941). Essa tese doutoral não consta na relação publicada por Meirelles et al. (2004).

Recém-formado, transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde fez clínica nos subúrbios de Santa Cruz e Piedade. Em 1906, fez concurso para o cargo de Inspetor Sanitário, obtendo o primeiro lugar. Foi quando trabalhou sob as ordens de Oswaldo Cruz, como "mínimo auxiliar na campanha do saneamento do Rio de Janeiro" (FRAGA, 1941, p.83).

Em 1910, retornou a Salvador e fez concurso para Professor Substituto de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Bahia (FAMEB). Em 1914, tomou parte no Décimo Sétimo Congresso Internacional de Medicina, em Londres.

Durante 12 anos exerceu a profissão na Bahia, ensino e clínica, tendo sido médico do seu mestre Prof. Pacífico Pereira: "Fui seu discípulo e depois, ainda que discípulo, cheguei a ser seu companheiro no professorado da velha e gloriosa Faculdade da Baía. Por vezes, fui também seu médico; seu amigo fui sempre e admirador dos mais fieis" (FRAGA, 1941, p.102; grifo nosso).

Em 1921, foi eleito deputado federal pela Bahia, afastou-se do magistério para cumprir mandato parlamentar (deputado federal), deixando, no entanto, "uma plêiade de discípulos", entre os quais César Augusto de Araújo. (MACHADO, 2007).

No Congresso, teve intensa participação nos problemas de saúde e educação, suas duas paixões. Em 1925, foi transferido da Faculdade de Medicina da Bahia para a do Rio de Janeiro, ocupando a cátedra até se aposentar em 1942. É dele a frase: "A Medicina não é sacerdócio: é profissão. Profissão de altruísmo" (in MACHADO, 2007, p.195).

Prof. Almério Machado (2007, p.195) refere também que ele costumava dizer: "Da Tisiologia patrícia sou veterano". Foi o fundador do Primeiro Curso de Tisiologia no Brasil, que se realizou por onze anos sucessivos, abordando uma doença responsável pelos mais altos índices de morbidade e mortalidade à época. É considerado o precursor do ensino dessa "especialidade" no país (MACHADO, 2007). São provas de sua preocupação com essa questão sanitária os seguintes trabalhos: "Fronteiras da tuberculose" (1906), "Tuberculose Pulmonar", "Noções atuais de tuberculose" (1932). Esses e outros trabalhos foram organizados em volume de Clínica Médica editado em 1918 (BOAVENTURA, 1974).

Representou o Brasil no 17º Congresso Internacional de Medicina em Londres e, em 1927, no Congresso Internacional de tuberculose, em Córdoba, Argentina. Em 1928, no governo Washington Luiz, exerceu o cargo de Diretor do Departamento Nacional de Saúde. Como delegado sanitário especial atuou na profilaxia do cholera-morbus e, em 1928, dirigiu na capital federal, Rio de Janeiro, a campanha contra a febre amarela, tendo destacada atuação. De 1937 a 1940 exerceu o cargo de Secretário Geral de Saúde e Assistência do Distrito Federal (SOUZA, 1973).

Nunca perdeu o vínculo com a Bahia. Um exemplo é sua publicação da década de 40 "Médicos Educadores" (FRAGA, 1941), na qual analisa não só nomes como Osvaldo Cruz, Miguel Couto, Azevedo Sodré, o baiano Francisco de Castro, que cursou na FAMEB até o 2º ano, fazendo carreira no Rio de Janeiro, mas também nomes que permaneceram na Bahia, como Pacífico Pereira e Carneiro Ribeiro.

Recebeu o título de Professor Emérito da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, e da Faculdade de Medicina da Bahia. Pertenceu, em caráter honorífico, às Academias Nacional de Medicina, de Paris, de Buenos Aires e à Academia das Ciências de Lisboa. Membro da Academia de Letras da Bahia, foi imortal na Academia Brasileira de Letras, para onde ingressou em 1939, sucedendo a Afonso Celso.

A sua obra científica e literária é vasta. A literária, especialmente, vazada num estilo preciso, evidenciando sua intimidade com os clássicos, evidenciando o seu conhecimento, em profundidade, da língua portuguesa, lições que aprendeu com o mestre Carneiro Ribeiro (FRAGA, 1941).

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 8 de Janeiro de 1971. Existe uma estátua, na Gávea, onde residiu nos seus últimos trinta anos, em honra à sua memória. Há uma escultura de sua cabeça na FAMEB, no prédio do Canela. É mais um imortal, nessa galeria de encantados.

 


Obras publicadas:


A Vontade - estudo psicofisiológico (Tese inaugural, 1903); Fronteiras da tuberculose (1906); Higiene rural no Brasil (1908); Tratamento das congestões pulmonares (1912); Discursos e conferências (1912); Congestões primitivas do Pulmão (1913); Le folie dans le paludisme chronique (1912); Suprarrenal syndrom in paludism (Comunicação à American Society of Tropical Medicine, 1917); Beriberi ou síndrome beribérica? (Memória apresentada à Academia Nacional de Medicina, 1917); Beriberi in Brazil (Memória apresentada à American Society of Tropical Medicine, 1918); Clínica médica: lições e notas clínicas (1919); Orações a Mocidade (Rio de Janeiro: A Noite Editora, 1923); O Ensino clínico, suas falhas e perspectivas (Conferência inaugural na Faculdade de medicina do Rio de Janeiro, 1927); A febre amarela no Brasil (1929); Tuberculose pulmonar (s/d, entre 1929-1931); Ceticismo em Medicina (1930); Diagnóstico das síndromes respiratórias (1931); Ensino médico e medicina social (Rio de Janeiro: A Noite Editora, 1932); Noções atuais de tuberculose (1932); Orientação profissional e higiene pública (1934); Erros e preceitos de medicina social (1937); Medicina clínica (1938); Ciência e arte em medicina (1939); Elogio a Afonso Celso, in Discursos Acadêmicos XI (Discurso de recepção na Academia Brasileira de Letras, 1939); Bovarismo antes e depois de Flaubert (1940); A Vocação de Xavier Marques, 1941; Médicos Educadores (Rio de Janeiro: A Noite Editora, 1941); Medicina e Humanismo, 1942; "Vida e Obra de Antero de Quental", 1943; Doença e gênio literário (1943); Últimas orações (1944); "Vida e Obra de Teófilo Dias", 1946; A cadeira 36 da Academia Brasileira de letras (1946); Vocação liberal de Castro Alves; Rui Acadêmico (1949); Medicina e médicos na vida de Rui Barbosa (1949); "Afonso Celso, educador", 1958; "Meditações", 1965 e "Reencontros Imaginários" (memórias), 1968; Vida e obras de Oswaldo Cruz (1972). 


Referências bibliográficas 


BOAVENTURA, Edvaldo. Clementino Fraga. Revista da Academia de Letras da Bahia, v.23, p.31-45, 1973-1974. 

CLEMENTINO Fraga. Sitio oficial da Academia Brasileira de Letras (ABL). Rio de Janeiro, s/d. Disponível em: Acesso em: 15 de setembro de 2012. 

FRAGA, Clementino. Médicos Educadores. Rio de Janeiro: A Noite Editora, 1941. 

MACHADO, Almério de Souza. A História da Pneumologia na Bahia: Tributo ao Professor César Augusto de Araújo. Gazeta Médica da Bahia, v. 77, n.2, p. 195-209, jul-dez.2007. 

MEIRELLES, Nevolanda Sampaio; Santos, Francisca da Cunha; Oliveira, Vilma Lima Nonato de; Lemos-Júnior, Laudenor P.; Tavares-Neto, José. Teses doutorais de titulados pela Faculdade de Medicina da Bahia, de 1840 a 1928. Gazeta Médica da Bahia, v.74, n.1, p. 9-101, jan.-jun. 2004. 

SOUZA, Antônio Loureiro de. Clementino Fraga. In: 

SOUZA Antônio Loureiro de. Baianos ilustres (1564-1925). 2.ed. Bahia: Secretaria da Educação e Cultura-Governo do Estado da Bahia, p. 265-266, 1973. 

TAVARES-NETO, José. Formandos de 1812 a 2008 pela Faculdade de Medicina da Bahia. Feira de Santana-BA: Academia de Medicina de Feira de Santana, 2008. 331p.



Biografia retirada da Academia de Medicina de Feira de Santana, 2008. 331p.


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