Acad. Eugênio Carlos de Almeida Tinoco




Acad. Eugênio Carlos de Almeida Tinoco

Monografia:

Tratamento endovascular da doença arterosclerótica carotídea


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Titular em 05/03/2010

Especialidade: Angiologia

Acadêmico Titular

Cadeira: 4

Patrono: César Cândido Pereira da Fonseca(Clínico Geral)


Mini currículo:

 
. Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Campos (1982).
. Mestrado em Medicina (Cirurgia Geral) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2004).
. Doutorado em Medicina (Cirurgia Geral) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2007).
. Chefe do Serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital São José do Avai, desde 1991.
. Coordenador Acadêmico do curso de Medicina da Universidade Iguaçu-Campus V, desde 2009.
. Residência Médica em Cirurgia Vascular Periférica no Hospital da Lagoa (RJ) (1991).
. Professor associado, responsável pelo curso de angiologia e cirurgia vascular da cadeira de Clínica Cirúrgica da Faculdade de Medicina de Campos (RJ).
. Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.
. Membro da International Society for Vascular Surgery.
. Membro do American College of Surgeons.
. Solicitado conferencista, participou de diversas palestras e é autor de inúmeros trabalhos apresentados em congressos por todo o país.


DISCURSO DE POSSE DO ACADÊMICO___________________________________________________________________

"SENHOR PRESIDENTE DR. Alcir Vicente Visela Chácar, CONFREIRAS E CONFRADES,  SENHORES MEMBROS DA MESA, MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES 

 

Tornar-me membro da Academia Fluminense de Medicina nesta noite muito me orgulha e alegra, pois farei parte de uma instituição fundamentada nos princípios morais e éticos que devem  reger o exercício da medicina.

Inicialmente, gostaria de citar Pitágoras onde diz que "Devemos honrar os deuses antes dos demônios, os heróis antes dos homens, e os pais antes de todos outros homens". Por isso, agradeço a Deus pela graça de nossa existência e aos meus pais Renam e Darcy pela minha vida.

A Academia Fluminense de Medicina é uma sociedade civil e científica, fundada em dezembro de 1974, sem fins lucrativos, de duração indeterminada, regida pelos seus Estatutos, e tendo por objetivos: promover e estimular o estudo da medicina; realizar sessões em que sejam discutidos assuntos relativos à medicina, à cultura e à ciência em geral; promover conferências, congressos e outros conclaves médicos; divulgar suas atividades, trabalhos de seus membros e conhecimentos médicos; opinar sobre questões, direta ou indiretamente, relacionadas com o exercício da medicina; colaborar com os poderes públicos no estudo de questões da caráter médico-social e manter intercâmbio com entidades médicas; A instituição escolheu como patronos de suas 60 (sessenta) cadeiras as figuras ilustres da Medicina que nasceram em solo fluminense e outros que, não sendo fluminenses, muito fizeram pela Medicina em nosso Estado, no Brasil e até internacionalmente. Estes eminentes médicos escolhidos como Patronos são sempre lembrados.

A primeira Diretoria oficial da Academia foi assim composta : Presidente: Carlos Tortelly Rodrigues Costa, Vice-Presidente: José Hermínio Guasti, Secretário Geral: Waldenir de Bragança, Secretário Adjunto: Edson Gualberto Pereira 1o Tesoureiro: Eduardo Chead Kraichete, 2o Tesoureiro: Antonio Jorge Abunahman, Orador: Mário Duarte Monteiro, Diretor de Patrimônio: Nelson de Sá Earp.

Esses homens devem ser lembrados a todo momento pela capacidade de concretizar seus sonhos, pensamentos e idéias. E como escreveu posteriormente o confrade Mario Duarte Monteiro "A semente vingou, a planta nasceu, cresce e será no futuro a árvore frondosa que corresponderá ao ideal dos fundadores da Academia Fluminense de Medicina".

Como é de praxe, o novo acadêmico deve homenagear o patrono de sua cadeira e os que a ocuparam posteriormente.

A cadeira 04 tem o Patronímico o Prof. César Cândido Pereira da Fonseca, homem honesto que soube compreender a medicina como um sacerdócio e a cátedra como um púlpito de onde devia ensinar a um só tempo, ciência, ética e caridade.

 Nasceu em Petrópolis, a 14 de março de 1873, de onde se afastou para cursar o ginásio Nacional, atual Colégio Pedro II onde foi aluno destacado.

Ingressou na Faculdade de Medicina e Farmácia do Rio de Janeiro onde terminou o curso satisfeito as suas tendências profissionais, colocando grau de Doutor com a tese "Valor Clínico do Eletro-Diagnóstico" aprovado com distinção em 14 de janeiro de 1897.

Recém formado, partiu para São Paulo onde clinicou apenas um ano, regressando em seguida a Petrópolis onde permaneceu como médico do Hospital Santa Tereza durante aproximadamente dois anos.

Em 1900 passou a residir em Niterói, exercendo a clínica durante 44 anos consecutivos, até o seu falecimento. Nos últimos 2 anos de vida, já com a saúde minada pela enfermidade, praticamente abandonou a clínica, atendendo quando melhorava a antigos clientes, seus amigos, o que fazia gratuitamente.

Só quem conheceu a clinica domiciliar de outros tempos, pode avaliar o que significa 44 anos consecutivos de clinica com as chamadas noturnas, as sérias responsabilidades dos "médicos de família".

Suas atividades profissionais não se limitavam a clínica particular, exercendo também as atividades profissionais como médico legista interino, medico do Corpo de Bombeiros e de associações de Caridade como o "Instituto de Caridade Azamor", o dispensário São Vicente de Paula, e o Asilo Santa Leopoldina.

Ao fazer parte do Hospital São João Batista em Niterói, na enfermaria de Clinica Médica, revelou-se então outra faceta genial de César da Fonseca "a de professor". Frequentava nesta época o Hospital, um grupo de estudantes, que se agrupou em torno do mestre que se revelava.

Realizou nesta ocasião seus primeiros cursos de Clinica Propedêutica, Clinica Médica, e de terapêutica com a difícil "Arte de Formular" da medicina antiga.

Em 1925 quando se cogitou de fundar a Nossa Faculdade Fluminense de Medicina, foi César da Fonseca dos primeiros a aceitar a idéia e trabalhar por ela.

Fundador da faculdade, nela concentrou daí em diante grande parte de suas atividades, sendo catedrático de Patologia Médica até 1936, quando foi extinta a cadeira por reforma do currículo médico.

Em 1934 com a criação da Policlínica da Faculdade de Medicina passou a chefiar um dos ambulatórios de Clinica Médica. Exerceu a medicina e atividades administrativas em vários hospitais de Niterói. Em relação a sua produção científica, publicou vários artigos em revistas médicas da época.

Em seguida passo a homenagear o último ocupante desta cadeira, que vem a ser meu pai Renam Catharina Tinoco, homem de honestidade, caráter, lealdade e amor ao próximo acima de qualquer prova. Nascido em 05 de março de 1938, em Ourânia, município de Itaperuna, filho de Ruth de Oliveira Tinoco e Cordélia Catharina Resende de Oliveira. Cursou em Itaperuna, no colégio Bittencourt o primário, indo para Niterói cursar o científico no colégio Batista. Prestou vestibular em 1957, ingressando no curso de medicina na Universidade Federal Fluminense,  concluído 1962. Em 1963 regressou para Itaperuna, casado com Darcy Simon de Almeida Tinoco, matrimônio este que tiveram 2 filhos Eu e Augusto Cláudio. Após alguns anos retornou a Niterói, onde exerceu a medicina e ministrou aula na Universidade Federal Fluminense. Entretanto, sua vontade de crescer e vencer obstáculos logo o fizeram retornar a sua cidade natal. Ao chegar,  começou a trabalhar como cirurgião no Hospital São José do Avai, na época com apenas 25 leitos e 9 médicos. Além disso viajava aos municípios vizinhos para atender a população.

Em 1968, conseguiu, com o apoio  de membros da comunidade junto ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, a permuta do antigo prédio do Hospital, para o local que hoje se encontra. Nesta época o prédio tinha a capacidade de 49 leitos e 02 salas de cirurgia.

A crescente demanda de pacientes e a chegada de médicos das mais diversas especialidades, foram essenciais para o crescimento do Hospital. Importante ressaltar que nesta época o teto financeiro era quase que exclusivamente oriundo do Inamps e Funrural, ou seja, recursos muito modestos.

Em 1983, assumiu a presidência do Hospital coincidindo com a conquista da Declaração de Utilidade Pública Federal, tornando o mesmo uma entidade filantrópica, o que isentava a instituição da carga tributária para importação de equipamentos  e folha de pagamento. Era o que ele precisava para colocar em prática seus sonhos e ideais, usando como principais aliados a força de vontade, trabalho e perseverança, este último sem dúvida nenhuma herdado e ensinado pela minha querida avó Cordélia. Não posso neste momento, omitir a presença de minha adorada mãe Darcy, que como sua anestesista durante toda essa jornada ainda era capaz  de exercer suas qualidades de mãe e amiga.

Em 1990, o Hospital já ocupava seu lugar de destaque no Estado do Rio de Janeiro, e já dispunha de 150 leitos, 10 leitos de CTI e 08 salas de cirurgia. Contudo, não se dava por satisfeito, e em 1991 foi criado o serviço de Hemodinâmica e Cirurgia Cardíaca, o que sem dúvida nenhuma colocou o Hospital como um dos principais do Estado. Na mesma década, criou-se o Serviço de Transplante de Órgãos, possibilitando à população a realização de transplantes de córneas, rim, fígado e coração. O hospital hoje, dispõe de todas as especialidades médicas necessárias para atender a população local, não sendo mais necessário seu deslocamento para atendimento nas grandes metrópoles como anteriormente.

Hoje, ainda como presidente da instituição mantém a mesma força de vontade e a capacidade de estimular a todos, principalmente os mais jovens a seguir novos caminhos e fronteiras.

Sua produção científica, contabiliza mais de 60 trabalhos publicados em revistas nacionais e internacionais, mais de 300 participações em congressos, Livre-docente pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Professor Titular de Cirurgia da Faculdade de Medicina de Campos (1987-98), Chefe do Serviço de Cirurgia Geral do HSJA e Membro Titular das mais importantes sociedades médicas dentro e fora do país.

Entretanto, não só de medicina era sua vida. Como pai sempre esteve presente, nos estimulando a estudar e praticar esportes, principalmente o futebol, quando todas as terças e quintas à noite era o responsável por levar nosso time pra treinar e jogar campeonatos. Os anos se passaram e apesar de nunca ter interferido em nossas escolhas, eu e meu irmão nos tornamos médicos e nosso maior objetivo é seguir seus princípios e ensinamentos, e continuar sua obra. Querido pai, meus parabéns pelo dia de hoje e muito obrigado.

Antes de terminar, não poderia deixar de agradecer a minha esposa  Denise, aos meus filhos Lucas e Pedro, pelo apoio e estímulo constante, sem os quais não conseguiria chegar aqui. Ao meu irmão Augusto Cláudio pela amizade e compreensão nas horas difíceis, ao Dr. Alcir Chácar e o Dr. Carlos Caldas pela gentileza e o carinho que me dispensaram nesta casa e finalmente a D. Alita pela ajuda e paciência.

Gostaria de finalizar com uma citação que diz: 

"Feliz o homem - e unicamente feliz

É aquele que pode chamar seu o dia de hoje,

Aquele que, tranquilo consigo pode dizer:

Vencerei o amanhã - porque vivi o dia de hoje".

 

Obrigado.

 

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