Acad. Leslie de Albuquerque Aloan




Acad. Leslie de Albuquerque Aloan

Monografia:

Aspectos clínicos e hemodinâmicos da insuficiência aórtica grave


Acesse a monogradia
Titular em 08/06/2018

Especialidade: Cardiologia

Acadêmico Emérito

Cadeira: 13

Patrono:


Mini currículo:

. Graduação em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1970).
. Mestrado em Cardiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1984).
. Doutorado em Cardiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1987).
. Residência em Medicina Interna (Mercy Hospital and Medical Center - University of Illinois) (1975).
. Fellow do Colégio Americano de Cardiologia
. Mestre (1984) e Doutor (1987) em Cardiologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
. Professor Titular do Curso de Cardiologia do Instituto de Pós Graduação Médica Carlos Chagas.
. Presidente Fundador da Sociedade de Hemodinâmica. Cardiologia Intervencionista do Estado do Rio de Janeiro.
. Participou da banca examinadora de dez teses de pós-graduação strictu sensu.
. Pertence a 11 entidades científicas no país e 10 no exterior.
. Tem 39 Capítulos de livros publicados, 72 editoriais, artigos de revisão e originais.

______________________________________________________________________________________________________
 

DISCURSO DE POSSE COMO MEMBRO TITULAR DA CADEIRA N. 13 DA ACADEMIA FLUMINENSE DE MEDICINA LESLIE DE ALBUQUERQUE ALOAN NITERÓI, 07 DE ABRIL DE 2010


 

 

Quero agradecer com alegria a Vida,

A alegria de sentir tão perto...

O final desta estrada percorrida,

Em passeio lúdico e incerto...

E na mágica hora da chegada,

Sentir,

que aprendi na caminhada.

(Leslie Aloan)


 

Exmo. Presidente da Academia Fluminense de Medicina, Alcir Vicente Visela Chácar, Cumprimentando-o, cumprimento os Exmos. Componentes desta Mesa, Autoridades presentes, Minhas Confreiras e Meus Confrades, Funcionários desta Casa, Senhoras e Senhores,

 

Hoje é um dia muito diferente para mim. Posso afirmar que poucas vezes em minha vida tive um momento tão grandioso. É um momento de júbilo, de satisfação e, sobretudo, de gratidão.

Cheguei até aqui trazido por um objetivo sincero e único: e diante de todos estou, para solenemente agradecer.

É com grande honra que assumo a Cadeira N. 13 desta Academia. Isto me motiva agora e adiante, me embala neste momento nobre, sentimento de homenagem, de quem germina no alfobre, a vontade do Fazer...

Retribuir é continuar e caminhar motivado, revigorado com o reconhecimento dos membros desta Casa.

Do que vale a festa se não for por causas e amigos... Por isso os tenho em volta, aqui e sempre, como um abrigo... um patrimônio antigo e belo... mas do que isso... eterno.

Não sendo hoje um personagem ocasional... mas, de modo emblemático, imortal.

Tenho um núcleo familiar que muito me orgulha e incentiva.

Sou filho daqueles que me ensinaram a vida como um desafio a ser vencido com dignidade e excelência: Miguel (in memorian) e Judith, aqui presente. Papai, filho de libaneses, me ensinou os valores da honra, acima de tudo. Mamãe, filha de portugueses, os caminhos da honestidade e companheirismo. Eles foram, são e serão sempre o meu exemplo de vida. É doce lembrar a firmeza e a ternura com que me mostraram a Vida.

Minha esposa Cristina, companheira compreensiva, que me desculpa a ausência constante e me acolhe em canto quando retorno. Embora eu seja médico, e ela advogada, me medica com carinho quando necessito de cuidados médicos. Prescreve sempre os mesmos 5 remédios de que tem conhecimento, mas tudo com muito amor e sinceridade. Obrigado , Cris.

Meus filhos, meus tesouros, Marcio com 36 anos, formado em Ciências Aeronáuticas pela PUC-RS, atualmente Comandante da Companhia Aérea Azul, e acima das nuvens e dos mortais, ele viaja e faz... a vocação que exerce e ama. E se os senhores não sabem, a diferença de Deus para o Comandante é que Deus não acha que é Comandante, não é meu filho?

Rafael com 29 anos, formado em Desenho Industrial pela PUC-Rio e também em Música pela UNIRIO. Músico que encontra a sua inspiração em Fernanda, minha nora, é Componente da Banda Companhia Velha, a melhor do Rio de Janeiro - não deixem de assisti-lo.

Está feito o nosso comercial, meu filho.

Eles são o meu maior orgulho e meus melhores amigos.

Quero agradecer ao Acadêmico Prof. Waldenir de Bragança, pelas palavras carinhosas com que me acolheu. É um grande prestígio receber tal saudação de um homem de tal envergadura. Médico e advogado, especialista em Saúde Pública, Nutrologia, Gerontologia, entre outras. Já exerceu vários cargos públicos e privados, como Presidente do CREMERJ, da Academia Fluminense de Medicina, e da Associação Médica Fluminense. Conselheiro do Conselho Federal de Medicina. Deputado estadual e Prefeito do Niterói. Enumero apenas estes pontos entre tantos em seu curriculum.

Portador de retórica invejável, brilhante nas idéias e transparente nos conceitos, me obriga a um esforço mágico ao sucedê-lo na palavra, nesta cerimônia.

Quero lembrar Jorge Amado, em conversas com Alice Raillard: "Quando falo de Gabriela, tenho muito a dizer. Não propriamente sobre Gabriela, mas em torno.?

Portanto, os agradecimentos pontuais falam além deles mesmos, são densos de emoções e encanto. São mágicos, são luzes, são canto.

Quero eternamente agradecer ao Acadêmico Pedro Aleixo pelo incentivo e envolvimento com a minha candidatura à esta Academia De amigo à irmão, ultrapassamos este limite rapidamente.

Sêneca, filósofo à época em que Cristo vivia disse: "Em poucos a gratidão sobrevive ao favor recebido." Mas eu posso te garantir, Pedro, que a minha gratidão sobreviverá sim, talvez eu esteja naqueles poucos.

Obrigado Pedro, Obrigado Norma.

Obrigado aos Acadêmicos que confiaram em mim e me elegeram. Pertencer a esse sodalício é mais que um compromisso. É uma atitude que assumo agora e sempre. É ter a honra de participar do contubérnio dos soldados do Saber.

E nesta conjuntura de agradecimentos, tento sem frutos entender as coincidências que se sucederam em um curto período de tempo.

Sem entender a Vida eu dedico: dedico este momento para mim de júbilo, ao Acadêmico Gerson Cotta-Pereira.

Amigo certo de sempre. Justo, íntegro e exemplo.

Você que foi em vida pleno e foi encanto. E na morte demonstrou a Paz daqueles que viveram justos.

E lembrando Fernando Sabino, Gerson, "... o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

Visto hoje neste momento, a tua Toga, Toga picta, usada apenas pelos triunfais , que me foi oferecida carinhosamente pela sua família, com grande emoção e orgulho, do caminho que me ofereceste: concreto, sábio, amigo. E neste caminho estarei o mais perto possível dos teus valores e ideais.

Como bem me disse a tua esposa Eliana: "Aloan, a minha estrela subiu ". E naquele momento que chorávamos, o Universo sorria, porque estava sendo contemplado com uma estrela, de grandeza incomparável. E esta nova dimensão que ocupas, o estará homenageando sempre.

Obrigado Gerson, Obrigado Eliana

Ser Titular da Cadeira no. 13 da Academia Fluminense de Medicina Patronímica de Clementino da Rocha Fraga é uma oportunidade impar e somente algumas pessoas ilustres, antes de mim, tiveram tal privilégio.

Clementino Fraga foi membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 23 de março de 1939, e empossado em 10 de junho do mesmo ano, tendo sido recebido pelo também médico Cláudio de Sousa, Presidente da Academia a época.

Nasceu em Muritiba, na Bahia, em 15 de setembro de 1880, filho de Clementino Rocha Fraga e de Córdula de Magalhães Fraga.

Muritiba é berço de personalidades ilustres, como José Antonio da Silva Castro Alves, avô do poeta Castro Alves, Diplomou-se em Medicina pela Universidade da Bahia em 1903. Recém formado, transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde fez clínica nos bairros de Santa Cruz e Piedade.

Em 1906, fez concurso para Inspetor Sanitário, classificou-se em primeiro lugar e trabalhou sob as ordens de Oswaldo Cruz, cuja biografia escreveu.

Quatro anos depois, regressou à Bahia e submeteu-se a concurso para professor da Faculdade de Medicina, conquistando o cargo.

Em 1921, foi eleito deputado federal pela Bahia. No Congresso, teve intensa participação nos problemas de saúde e educação.

Em 1925, foi transferido da Faculdade de Medicina da Bahia para a do Rio de Janeiro, ocupando a cátedra até se aposentar em 1942.

Pertenceu também, em caráter honorífico às Academias Nacional de Medicina de Paris, de Buenos Aires e à Academia das Ciências de Lisboa. Sua vaga na Academia Brasileira de Letras foi preenchida pelo professor Paulo Carneiro.

Uma estátua, na Gávea, onde residiu nos seus últimos trinta anos honra a sua memória.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro a 8 de janeiro de 1971.

O Acadêmico Luiz José Martins Romeo Filho, amigo de muitas décadas, é a quem sucedo nesta Cadeira nº 13, com muita honra e responsabilidade.

Foi eleito para a Academia Fluminense de Medicina em 02 de agosto de 1984 com a Monografia "Parâmetros Clínicos, Radiológicos e Eletrocardiográficos na Avaliação do Diagnóstico e Prognóstico dos Aneurismas do Ventrículo Esquerdo". O então Presidente da Comissão Científica, Acadêmico Paulo Dias da Costa, termina a sua carta de aprovação desta forma: "O candidato, Prof. Romeu Filho, deve ser acolhido pela Academia. Tem envergadura para ser um dos nossos. Faço votos que venha trabalhar conosco.?

Romeo Filho é portador de um curriculum invejável. Graduou-se em Medicina pela UFF em 1962, tendo obtido os títulos acadêmicos de Mestrado e de Doutorado pela UFRJ em 1978 e 1981, respectivamente. Ingressou na UFF em 1964 e lá desenvolveu intensa atividade acadêmica, seja como professor, pesquisador, administrador e Diretor. Atuou tanto na Graduação com na Pós-graduação. Em 1994, foi aprovado em primeiro lugar como Prof, Titular da Cadeira de Cardiologia daquela Universidade.

Apresenta uma extensa produção bibliográfica , com mais de 60 artigos originais em periódicos nacionais e estrangeiros. Cento e noventa e dois resumos de artigos apresentados em Congressos. Ministrou mais de 400 conferências e Aulas como convidado. em eventos científicos.

O Prof. Romeo já orientou 30 dissertações de Mestrado e 18 teses de Doutorado. Participou de Bancas examinadoras de Mestrado, Doutorado, Livre docência e Prof. Titular em 85 oportunidades.

Passou a insigne condição de emérito no dia de hoje. Parabéns, Romeu.

Hoje, dia 07 de abril, comemora-se o Dia Mundial da Saúde, criado pela Organização Mundial de Saúde em abril de 1948, fundamentado no direito do cidadão à saúde e na obrigação do Estado na promoção da saúde.

Este ano terá como tema central a urbanização como promoção de saúde, com a campanha "1000 cidades - 1000 vidas". Serão organizados eventos em todo o mundo, durante a semana de 7 a 11 de abril de 2010.

Ao longo da história da humanidade, o saneamento ambiental já era defendida por Roma em 27 D.C., como o maior veículo de promoção de saúde..

Acreditavam nas causas naturais das doenças que poderiam ser causadas pela higiene precária a época. Desenvolveram a melhoria do sistema público de saúde, onde todos do Império foram beneficiados, e não apenas os mais abastados . Desta forma, foi a primeira civilização a introduzir o conceito de saúde pública universal, independente da classe individual.

A higiene pessoal era uma consciência coletiva entre os romanos. As suas magníficas saunas públicas e privadas foram o exemplo disso. Os sanitários higiênicos faziam parte de todas as casas e haviam também os públicos. Estima-se que em 315 D.C. existiam cerca de 150 sanitários públicos com esgotos apropriados.

Portanto, há 2000 anos este é um tema atual.

E hoje, 07 de abril de 2010 nos reportamos ao dia Mundial da Saúde, celebrado há 62 anos.

De imediato vem ao inconsciente o grande questionamento: Nós temos alguma coisa à comemorar?

Eu acredito que sim.

Amanhã, dia 08 de abril, estarei recebendo o agradecimento da Cidade do Rio de Janeiro, na Câmara dos Vereadores pelas realizações alcançadas em um hospital público-Hospital dos Servidores do Estado. E isto muito me orgulha e renova as energias de Fazer.

No entanto, como cidadão e como médico, preocupa-me quando chegaremos ao atendimento minimamente aceitável do nosso Sistema de Saúde Pública. Lembrando ainda, que o conceito de saúde não termina no atendimento médico , ele vai além desta fronteira assistencial.

O dia de hoje é motivo de uma extensa análise e profunda reflexão do que acontece na Saúde do nosso país.

Este não é com certeza o fórum apropriado para esta discussão. No entanto, eu gostaria de deixar registrado alguns pontos para a nossa consideração e meditação.

Salles, em seu livro "História da medicina no Brasil?. publicado em 1971 relata que até 1789, ou seja, quase 3 séculos após o descobrimento do país, haviam apenas 04 médicos exercendo a Medicina no Brasil, todos no Rio de Janeiro.

Com a vinda da família real ao Brasil em 1808, houve a necessidade da organização de uma estrutura sanitária mínima, capaz de dar suporte ao poder que se instalava na cidade do Rio de Janeiro. Resumia-se no entanto ao controle de navios e saúde dos portos. A atenção ao indivíduo não era uma concepção à época.

Em 24 de janeiro de 1923 foi criada a Previdência Social por força da Lei que criou as Caixas de Aposentadorias e Pensões. Tinham direito aos benefícios somente trabalhadores que contribuíam para a Previdência, ou seja, detentores de carteira de trabalho e emprego

Apenas com a criação do Ministério da Saúde em 1930, a assistência coletiva que vigorava passa a se desviar para a atenção individual na saúde. E foi nesse universo que a assistência médica individual modelou o atendimento, ou seja, apenas e exclusivamente àqueles que contribuíam com a Previdência Social, Mecanismo cristalizado e único financiador da Saúde Pública.

De 1930 até a promulgação da Constituição de 1988, aconteceram diversos movimentos na assistência médica, mas sempre se limitando ao universo já aludido.

Em 1966 houve a fusão dos IAP?s tendo sido criado o INPS (Instituto Nacional da Previdência Social) uniformizando e centralizando a Previdência, que em 1977 foi transformado em INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social). Em 1989 criou-se o SUDS (Sistema Unificado e Descentralizado de Saúde) que descentralizou as atividades do INAMPS para as Secretarias Estaduais de Saúde.

Em 1988 a Constituição Federal incorporando, parcialmente, as propostas estabelecidas pelo movimento da reforma sanitária brasileira criou o Sistema Único de Saúde, com funções, competências, atividades e atribuições absorvidas pelas instâncias federal, estadual e municipal do SUS. E então se dá a universalidade do atendimento. E a clientela de trinta e oito milhões de brasileiros em 1988 atinge hoje algo em torno de 200 milhões.

Como fazer frente a essa demanda?

Em fevereiro de 2006, o Ministério da Saúde divulga o Pacto da Saúde, - Consolidação do SUS e aprova as Diretrizes Operacionais do Referido Pacto

Em 13 de setembro de 2000 foi promulgada a Emenda Constitucional 29 com o objetivo de definir a forma de financiamento da política pública de saúde de maneira vinculada à receita tributária.

Em dezembro de 2008 foi abolida a CPMF.

Somam-se outros fatores altamente ponderáveis nesta análise.

A expectativa de vida no país aumentou em 10 anos nas últimas duas décadas, situando-se atualmente em torno de 73 anos. Sendo significativamente maior nos grandes Centros.

As doenças crônicas tornaram-se altamente prevalentes e com tratamento dispendioso;

A tecnologia diagnóstica e terapêutica evoluiram exponencialmente e encareceu a assistência médica na mesma grandeza. O diagnóstico precoce é uma realidade.

A Justiça entende sabiamente que o diagnóstico e o tratamento tem que ser observado utilizando-se todo o arsenal disponível, não sòmente na área privada, mas na pública.

Portanto, sumarizando esta preocupante análise, concluo objetivamente com sete pontos cruciais:

1. A demanda assistencial passou de 38 milhões em 1988, para um universo de perto de 200 milhões de brasileiros;

2. Dos recursos existentes foram reduzidos 40 bilhões provindos da CPMF;

3. O financiamento do SUS , através da Emenda Constitucional 29, ainda não foi regulamentada após 6 anos;

4. O Problema do financiamento das Políticas de Saúde ainda não está resolvido;

5. A população envelheceu a as doenças crônicas predominam;

6. A tecnologia avançou encarecendo a assistência médica;

7. Todos são iguais perante a Lei e as oportunidades;

 

No entanto, é facilmente observado que nestes últimos 20 anos, ocorreu um salto dialético de qualidade através de um sistema criado por grandes profissionais de saúde, com o propósito de oferecer atendimento médico gratuito, universal e digno a toda a população brasileira.

Temos que aprimora-lo, lapida-lo. Esta evolução assistencial e a universalização da assistência é sem dúvida um patrimônio brasileiro, com pouquíssimos exemplos no Mundo.

Perto de comemorar a sua maioridade aos 21 anos, ainda nas suas bodas de porcelana fica a apreensão de como serão as comemorações das bodas de carvalho, em 2070.

Quero estar aqui para ver.

E quero terminar com estas palavras:

 

Bem sabes Tu, Senhor

Neste anseio, para mim eterno,

Que me embala em vida

Um sentimento terno

O clamor de confraterno,

Desta Casa amiga...

Agradeço a harmonia

De quem canta comigo

Compartilha comigo a melodia,

Na leveza da poesia ...

No encanto do Fazer ...

Obrigado a todos

 


Currículo Lattes