Antonio Pedro Pimentel




Titular em 24/07/2021

Especialidade:

Acadêmico Patrono

Cadeira: 48

Patrono:


Mini currículo:

Filho de Eduardo Alberto Pimentel e de D. Mathilde d´ Andréa Pimentel, nasceu Antonio Pedro Pimentel na cidade do Rio de Janeiro em 14 de maio de 1875.

Fez o curso ginasial no Colégio D. Pedro II, onde mereceu prêmio das mãos do próprio Imperador. Terminado o curso, matriculou-se na Escola Militar da Praia Vermelha, não tendo, porém, conseguido adaptar-se ao sistema de vida militar.

Abandonou essa carreira e ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Completando o curso, defendeu tese sobre cardiologia e, posteriormente, fez concurso para livre docência de Clínica Médica, apresentando tese com o título "Astasia - abasia".

Foi médico do Serviço Nacional de Saúde Pública, onde trabalhou sob direção de Oswaldo Cruz, tomando parte nas campanhas então empreendidas contra a febre amarela e outras endemias.

Mais tarde foi transferido para o Hospital Paula Cândido, em Jurujuba, onde se internavam casos de doenças contagiosas. Nesse Hospital realizou conferências sobre Tisiologia, publicadas na Revista Patologia Geral.

Quando para Presidente do Estado do Rio foi eleito Raul Veiga, com Bocayuva Cunha como Prefeito de Niterói, foi convidado a tomar a direção do Hospital São João Baptista, levando para lá nomes como Fábio Sodré, Ernani Alves, Eduardo Imbassahy e um grupo selecionado de internos, elevando assim o nível de atendimento do Hospital.

Entusiasmou-o, então, a ideia da construção de um hospital padrão, tendo conseguido de renomado arquiteto o planejamento de um hospital que seria localizado na colina onde estava o velho São João Baptista.

Em 1921, idealizou criar em Niterói uma Faculdade de Medicina, reunindo nomes ilustres da Medicina brasileira. Não tendo conseguido mobilizar a indiferença dos que poderiam ajudar e cercado de hostilidades, não pôde levar adiante o seu intento.

Mais tarde, relembrada a ideia por médicos de Niterói, apoiada pelo Governo do Estado, foi criada a Faculdade Fluminense de Medicina, com Antonio Pedro como diretor e professor de Propedêutica Médica. Foi incansável no esforço para que essa segunda tentativa não fracassasse, tendo-lhe dedicado todas as horas que sua larga clínica deixava livres.

Como professor, sabia resumir os assuntos em seus pontos essenciais, de modo a poder lecionar todo o programa da cadeira, chegando ao fim do período com a matéria do curso esgotada. Como clínico, era amável no trato com o doente, apresentando-se sempre muito bem vestido, com roupas claras, camisas de seda ou de cambraia, com monograma, ternos de linho branco, o que não era usual nos médicos de então. Usava perfume, sempre o mesmo, o que o caracterizava por onde passasse. Seus blocos de receituário eram pequenos, de acordo com a simplicidade de suas receitas, encimados apenas por seu nome, Antonio Pedro, sem qualquer título, nem mesmo o de Dr.

Numa época em que avultavam os consultórios de farmácia, tinha o seu consultório em sua residência, onde atendia seus pacientes. Achava que sua obrigação para com o doente sobrepujava qualquer outra e dizia que o primeiro dever de ética do médico era para com o paciente. Isto o levava a incompatibilizar-se com colegas, como durante a epidemia de gripe em 1918, em que combateu o uso e abuso que alguns médicos faziam do quinino. Nessa ocasião, foi apelidado de Dr. Laranjada pois, numa época em que não havia vitamina C em comprimidos, recomendava laranjada aos pacientes com gripe.

Assim como criticava sabia também elogiar e defender colegas quando oportuno.

Sua percentagem de erro diagnóstico devia ser pequena, não só pelo seu conhecimento de patologia e na propedêutica, como pela coragem e honestidade de dizer "não sei" quando não estava certo da doença. Achava que o laboratório era para confirmar ou infirmar diagnóstico e não para fazer diagnóstico.

Estudava sempre, tinha excelente biblioteca, médica e literária, e acompanhava a evolução da medicina pela leitura de revistas como: "The Journal" da A.M.A, "The Lancet", "Presse Médicale" e revistas nacionais como Brasil Médico e Patologia Geral.

Gostava de conversar com colegas sobre seus casos clínicos e discuti-los, tendo sido uma grande influência na modificação da mentalidade médica de Nterói, pelos conceitos modernos para a época, que externava.

Com Ernani Alves e Leonídio Ribeiro fundou a Casa de Saúde Icaraí, para atendimento de particulares e acidentes de trabalho.

Sendo clínico geral, evitava ingressar no terreno das especialidades. Queria criar em Niterói um grupo de especialistas que tornasse desnecessária a ida de pacientes ao Rio de Janeiro, tendo, para conseguir esse objetivo, orientado colegas recém-formados no sentido de se especializarem.

Publicou alguns trabalhos, valendo citar o sinal para diagnóstico da apendicite que Vieira Romeiro chamou de ponto de Antonio Pedro, o combate aos purgativos usados então quase sistematicamente no início de qualquer doença, sob o título "O Perigo dos Purgativos", trabalho sobre a ação enterocinética da pituitrina, processo prático do tratamento da miíase pelo cloretila, e o relato da epidemia de Dengue em Niterói com 55 casos.

Faleceu em 11 de novembro de 1930, dentro de seu automóvel, quando voltava de resolver com membro do governo, problemas relativos à Faculdade Fluminense de Medicina.

Deixou 5 filhos, 4 da primeira esposa Maria Luiza de Almeida Pimentel - Aydano, Francisco, Maria Clara e Paulo Cesar; e 1 da segunda, Conceição da Silva Pimentel - José Eduardo.

Pela remodelação do Hospital São João Baptista, pelos conceitos que emitia, pela precisão no diagnóstico, pela simplicidade no receituário, pela preocupação de formar um corpo de especialistas em Niterói, pelos trabalhos publicados, pela criação da Faculdade Fluminense de Medicina, foi Antonio Pedro um lutador pela boa prática médica e um inovador, justificando uma frase de Eduardo Imbassahy a esse respeito. Disse ele que a cultura médica fluminense podia ser dividida em duas fases: Antes de Antonio Pedro e depois de Antonio Pedro.


Biografia escrita pelo Acadêmico, Cadeira nº 48, Paulo Cesar de Almeida Pimentel.


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