Arídio Fernandes Martins




Titular em 28/07/2021

Especialidade:

Acadêmico Patrono

Cadeira: 7

Patrono:


Mini currículo:

Arídio Fernandes Martins nasceu em São Paulo em 24 de dezembro de 1888 e faleceu em Niterói no dia 26 de setembro de 1947. Completou o secundário no Colégio Diocesano de São Paulo, doutorando-se em 1913 pela Faculdade Nacional de Medicina com defesa de tese sobre Leishmaniose. Em 1933 diplomou-se também pela Faculdade de Direito de Niterói, mas não exerceu a advocacia. Tendo feito o internato médico no Hospital São João Batista radicou-se na antiga capital fluminense, atendendo em farmácias e no consultório particular como operador e especialista em sífilis. Em 1916, já integrando os quadros da Inspetoria Estadual de Higiene, foi responsável pelos serviços de profilaxia no desaparecido município de São João Marcos, onde grassava feroz epidemia de impaludismo, em consequência da construção da represa de Ribeirão das Lajes. 


Voltou atacado pela doença e horrorizado com o quadro que encontrou na região, mas apesar das denúncias que então formulou nenhuma providência foi tomada. Ingressou por essa época no Corpo de Saúde do Exército, como tenente-médico, passando a capitão em 1931 e major em 1936. Assistiu nos hospitais militares de Juiz de Fora e Curitiba; chefiou os serviços de neurologia, psiquiatria e medicina legal no Hospital Central do Exército no Rio de Janeiro e dirigia o Hospital Militar de Mato Grosso quando passou à reserva como tenente-coronel, em 1942. Nos períodos em que serviu no Rio de Janeiro atuou como cirurgião do Hospital Batista de Niterói (hoje Hospital da Polícia Militar) e chefe do ambulatório do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Terrestres do Estado do Rio. Durante a Revolução Paulista de 1924 engajou-se no serviço de saúde dos batalhões improvisados na Policlínica Militar fluminense para combater aquele movimento. Foi fundador da Associação Médico-Cirúrgica e da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Niterói, tendo presidido a primeira em 1924 e a segunda de 1934 a 1935, sucedendo a Eduardo Imbassahy. Professor de Medicina Legal da Faculdade Fluminense de Medicina desde sua criação licenciou-se em razão de duas atribuições militares, mas retornou a cátedra em 1942, depois de reformado. Regeu a mesma cadeira na Escola de Aplicação do Serviço de Saúde do Exército, na Faculdade de Odontologia de Niterói. Entrou na política pela mão do Governador Feliciano Sodré, elegendo-se deputado estadual em 1927 e vereador em 1929 à Câmara de Niterói. Reconduzido à Assembleia em 1930, perdeu os dois mandatos com a revolução de outubro. Reelegeu-se vereador em 1936 pelo Partido Liberal Niteroiense, no breve restabelecimento do regime constitucional, sendo escolhido presidente da Câmara. Entre seus companheiros de vereança figurava o capitão Asdrúbal Gweyer de Zevedo, cujos pronunciamentos, na tribuna e pela imprensa, incomodavam o governo federal. Gweyer acabaria punido com a designação para uma unidade militar em Mato Grosso, o que significava a cassação tácita de seu mandato. 


Em protesto contra esse ato de violência, Arídio deixou a Câmara em janeiro de 1937, dez meses antes do golpe do estado novo, que novamente dissolveria as representações legislativas. Após a queda da ditadura filiou-se ao Partido Social Democrático, concorrendo sem êxito à Constituinte fluminense de 1947. Publicou entre outras obras a tese "Peritos e perícias médico-legais", em 1939. Deixou esparsa em jornais niteroienses e cariocas uma série de biografias humorísticas de médicos da época, como título de "Esculápios em fila". Pertenceu à Academia Brasileira de Medicina Militar, à Academia Niteroiense de Letras e à Academia Fluminense de Letras, nesta como correspondente da classe de Ciências.

 

 

Biografia retirada do livro "Figuras & Fatos da Medicina em Niterói", de Emmanuel de Macedo Soares.

 


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